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Palavras

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"Quem não vê bem uma palavra, não pode ver bem uma alma" F. Pessoa



terça-feira, 28 de setembro de 2010

Cores

Hoje estou vendo o dia cinza. Ontem, estava verde claro pela manhã, e na hora do almoço, azul (de fome).
Realmente, não estou muito animada. Me sinto meio sem graça, meio em suspenso.
Então, as cores naturalmente surgem, e aos poucos, ao longo das horas, mudam também. Já tive dias que começaram cor do mar, depois se tornaram cor de burro quando foge e então ficaram roxos, ou de vergonha, ou das quedas que levei.
Desde uns dias, minha paleta de cores diminuiu consideravelmente. Creio que por ter cometidos erros, as consequências estão sendo difíceis para mim, e as cores de meus instantes estão cada vez mais inconstantes.

Gosto das cores fixas. O amarelo de um dia longo de trabalho - minha energia. O lilás da calmaria de meu quarto, e o vivo verde do muro da minha casa. O vermelho das noites na companhia de meu amor. O roxo, rosa, preto, laranja... de meus amigos.

Não sei por onde começar a colorir. Parece que a cada cor que escolho, acabo colorindo o lugar errado. E assim, o meu jardim tem mais rosas pintadas de azul petróleo do que do vermelho correto. Mesmo eu podendo escolher as cores que desejo, gostaria de ter orgulho desse meu jardim. Orgulho de verdade.

Nas últimas 72 horas me sinto daltônica: verde e vermelho se misturam. Minhas cores primárias estão ausentes. Tomara que elas voltem logo. (Não demorem muito, ok?)
Talvez o preço que eu esteja pagando seja alto demais, e também esteja tirando a possibilidade de outras pessoas verem cores. Cores com as quais eu jamais tenha sonhado.

Nessa semana estou refletindo muito sobre tudo o que tem acontecido. Há muitas cores vibrantes, há motivos para comemoração. No entanto, há cores opacas, em maior proporção.

Até as noites tem estado mais escuras. Um preto que escorre, grosso como petróleo, que impregna tudo.
No domingo de tarde, me sentia verde, enjoada de mim mesma.
Hoje, foi a mesma coisa. Um verde oliva, sem cor de nada. A vontade de fazer muita coisa existia, mas o verde era tão difícil de transpassar! Estou tentando inutilmente.

Saudade dos dias azuis turquesa, ou das tardes laranjas. O verde mar, o azul clarinho. Cor de felicidade plena, de pés no chão. Só queria aquela certeza... Os sábados amarelos da energia da casa que agora é amarela. Ou só saber por qual caminho seguir. O que fazer. Por onde seguir. Sim, sim... As cores fogem.