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Palavras

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"Quem não vê bem uma palavra, não pode ver bem uma alma" F. Pessoa



quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Aquilo que fica



"O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo..."

Eu poderia começar esse texto, com essa frase do Mario Quintana... ou dizendo que "Saudade é um sentimento que quando não cabe no coração, escorre pelos olhos", como já dizia Bob Marley.

Mas nada define tão bem essa palavra, esse sentir como fez Rubem Alves com sua linda"A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar."

Ultimamente tenho sentido saudade. Saudade daquelas profundas e certas, consistentes e fortes. Daquelas que pegam a gente de surpresa e fazem o coração apertar. E aperta tanto que o coração fica sem saber o que fazer... e acaba chorando baixinho, no cantinho do peito.

Dona Saudade é poderosa: sabe o que causa nas pessoas, e por isso se torna tão palpável, tão inquieta e forte, que tem o poder de fazer qualquer um tropeçar pelo caminho. Por isso, me prende exatamente onde estou.

Minha Alma grita, pede, roga, solicita, convida, convoca, pergunta... e sussurra ao final: "Por favor, me faz sair daqui... Deixa eu sair...! Outra Alma me chama..."        O que fazer então?
"Querida, tenha paciência...", respondo, sem ter certeza de minhas próprias palavras.
Minha Alma é realmente muito impaciente.

Então, nessas horas, minha Alma e eu pedimos para as Lembranças chegarem mais perto, para cada uma abrir sua caixinha... Olhares, toques, perfume de roupa limpa, carinhos... afagos, risos, lugares e tantas outras caixinhas.

A Dona Saudade está conosco, e pouco a pouco, lágrimas surgem em seus olhos atentos ao que vemos. Já não está tão inquieta, nem forte. Está em silêncio, concentrada... enternecida. "Que lindas caixinhas!", pensa."Quanto Amor...".

E ficamos ali, juntas... Esperando... Esperando... Esperando... Esperando... Esperando... Admirando. Então, Dona Saudade anuncia que precisa respirar, afinal, o conteúdo das caixinhas merece reflexão.

E nos damos conta que outra Alma se acercou, assim que Dona Saudade saiu...
Alma aquela que chamava a mim mesma, que pedia incessantemente que estivessem juntas... Ela chegou! Está por perto, de braços abertos e abraço apertado, com cheiro de roupa limpa e desejo de estar junto... Sempre junto.

Com Dona Saudade fora, me permito voltar para onde sempre quis estar... E assim ficarei, por quanto me for permitido... Protegida e plena, até ela voltar.

Mas eu tenho que falar baixinho e ficar quietinha... Afinal, ela pode ouvir e querer voltar antes do tempo...