Sinto que em mim cabe muito... O espaço é grande... Então preciso organizar o que sinto - o que tenho para oferecer - o que necessito guardar - o que tenho para compartilhar - misturar - doar - receber - fazer...Para tanto, me divido em gavetas...
Abro e fecho as gavetas de minha vida, sempre para guardar algo novo, recolher uma lembrança, refazer uma memória, sentir outra vez uma sensação, ou deixar algo em lugar menos acessível... Ou misturar tudo o que há em tais compartimentos, para que espalhadas em mim, me façam sorrir...
Tudo se casa - tudo o que sou está em minhas gavetas... Estão separadas, mas ao mesmo tempo, são uma só: minha família, meus amigos, meu Amor, meus alunos, meus professores, minhas lembranças, meus medos, projetos, sonhos, delícias, desejos, mágoas, tristezas, intuições... Há tudo o que me constitui - reflexos do que sou, fui e há espaço para o que serei.
Exploro meus recantos, e me (re)vejo menina...Testemunho o aprendizado de ser mulher... Saboreio o gosto de mim mesma, e guardo a sensação - tudo o quanto de mim, dos outros, das coisas...
Assim, dou a mim mesma o presente diário de desvendar o que ainda não sei e de ter muitas outras gavetas, para ser o que sou e me tornar melhor a cada dia.
Assim, todos(as) que lerem sobre tais gavetas, terão a certeza que estão em uma delas, cuidados(as) com o maior esmero... Quando sinto que alguém que está em mim precisa de um sorriso, abraço, beijo, uma conversa, ou algo que eu possa fazer, uma luz de alerta de acende e faz chacoalhar o espaço que esse alguém possui... Já aconteceu de muitas luzes se acenderem e de sentir muitas gavetas se agitarem ao mesmo instante... Mas com o Tempo, tudo se acalma.
Dessa forma sou grata as pessoas que passaram pela minha vida, pois fazem parte de mim de maneira única e especial: cada um leva um pouco de mim, mas também deixa um pouco de si...
"Sê como a árvore do sândalo que perfuma até o machado que a corta" (Tagore)
Nenhum comentário:
Postar um comentário