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"Quem não vê bem uma palavra, não pode ver bem uma alma" F. Pessoa



sexta-feira, 26 de março de 2010

Livres sonhos

   As Pombas

                                                 Raimundo Correia*


Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
Das pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sangüinea e fresca a madrugada.

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais, de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações onde abotoam
Os sonhos, um a um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais.


Assim como as pombas deixam os pombais, os sonhos deixam os nossos jovens corações para dar lugar a outras aspirações... Já não tenho os desejos de menina... O que quero é diferente. Porém, não significa que os sonhos não estejam vivos dentro de mim. Ao contrário: me permito que novas "pombas" venham, cada qual em seu instante precioso, único... Assim como o que sinto: cada instante tem seu valor, cada pomba em mim alça novos céus, voa livre no espaço aberto, ganhando a  liberdade...
Tenho muitas pombas: deixo-as voar, deixo os sonhos se tornarem reais, para voltarem vitoriosos ao meu pombal.

*Raimundo Correia (1859-1911) poeta parnasiano também foi cronista, ensaísta, advogado, magistrado, professor e diplomata.

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