Tem dias que a gente não está bem. Que eu não estou bem.
Ser mulher é algo complicado... Os hormônios, as oscilações, os medos bestas que (re)aparecem, as caraminholas, as risadas que surgem em instantes em que não eram para surgir, o sono, as pernas pesadas como se fossem de chumbo, a respiração diferente, algo que oprime...
Então, nesses dias fico ainda mais manhosa, carente, ainda mais insegura, me sentindo um peixinho fora do aquário, um E.T. vindo dos confins do Universo: não sou eu.
Mas sou eu sim! Mensalmente, sou ainda mais eu.
Me sinto como se tudo o que precisasse fosse ficar quietinha, sem dizer uma palavra. Mas ao mesmo tempo, grito por dentro, em brados que fazem minhas irrisórias cordas vocais terem a potência de muitos trovões, ressoando nos confins de mim mesma.
Esse som tão alto, tão forte reverbera de tal forma que meu corpo só vê uma saída: pelos olhos, em uma torrente de lágrimas, eu descarrego tudo o que sinto. E isso não tem hora para acontecer: pode ser no provador de uma loja, no banho, na rua, em casa...
E então, o que eu mais preciso é de você*.
Você* que me entende, que me aconchega, que me acolhe.
Você* que quando liga no meio do dia, ou a qualquer hora, e diz "Eu te amo" já me faz sorrir o resto do dia. E que quando eu mando um SMS, me faz ficar esperando sua resposta, ou um simples "Eu também te amo Mel". Sua atenção, seus carinhos fazem toda diferença... E ouvir seus "minha linda", "minha flor", "meu amor" é algo que não consigo explicar o quão amada me sinto.
Você* que quando eu estou feliz, está feliz comigo e quando estou triste, quer saber o motivo. E me deixa feliz, mesmo eu estando triste, só pelo fato de me deixar estar em seus braços, mesmo eu estando triste.
É complicado ser mulher... Um ser de difícil compreensão, que chora sem ter motivo, que às vezes sente vergonha de si mesma, e precisa de um cantinho para se esconder, para depois sair, linda e poderosa como Vênus.
Sim, nesses dias você* exercita sua paciência comigo: manha, chatice, caraminholas... e muito mais, mais do que o normal.
Na fina fronteira dos meus lençóis, desejo chocolate, Quindim*, uma bolsa de água quente e muitos beijos.
Menina que se esconde, Mulher que surge em seguida. Todo mês é assim.
Mas hoje, deu um aperto no peito, uma vontade de que você* me ouvisse, que me desse um abraço e me olhasse nos olhos, daquele jeito que vê até a minha alma... sorrindo para mim, sem que nem eu mesma soubesse por que, pelo simples fato de ser eu mesma contigo e não precisar esconder nada. E então, me sinto uma boba... E adoro sentir isso, mas apenas quando estou nos seus braços. Quando estou sozinha, me sinto uma perfeita idiota :-/
Bom escrever assim: os trovões que moram em mim se transformam em letrinhas, e cada letrinha uma palavra... e as frases, orações, períodos... se unem, e são um só, são eu mesma. Mas os trovões ainda ribombam aqui, estrondosamente.
Mas eu sei que a cada mês eu tenho a oportunidade de gerar uma vida, e isso me faz encarar, mesmo que timidamente cada trovão: um dia, Heitor e Sofia irão ter essa força que brotou de mim, também dentro deles... E por isso, cada instante, cada dia vale a pena.
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